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QUINTA MIRABELA, 303
Recordaremos estas manhãs de junho, esta paz intacta no quarto enquanto de fora chega o breve rumor da água e o som dos cestos a deslizar no asfalto. Recordaremos este azul que a janela aberta implora até ser ferida e ou coisa em nós de alma nua. Recordaremos esta lentidão do corpo pedindo tempo e medida, e afeto e alimento, e tudo o que para lá das paredes soa a uma suave replicação do amor, quando dizemos – e dissemo-lo – bom dia.
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© João Ricardo Lopes, Funchal, 25.06.2026
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