Pelas frinchas da garagem

Antiga oficina. Antiga garagem.
Fotografia recolhida na plataforma Pixabay

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PELAS FRINCHAS DA GARAGEM

pelas frinchas da garagem
entram os dedos da lua

depois é um eco de velhas sucatas
adormecidas, cablagens e
candeeiros a petróleo, caixas de
sapatos e bonecos de caco,
coisas dispersas, despejadas pelo
tempo ao acaso através da pele

sem rasto é o cheiro do silêncio,
o rosto que nos pertencia
e hoje não passa de gelo talhado
a esmo, por entre as frestas
da memória

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Cair da tarde

Fotografia de Annemieke Stuij
Fotografia de Annemieke Stuij

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CAIR DA TARDE

um a um os pássaros respondem ao meu círculo,
voam avulsos e concêntricos,
voam como voam as galáxias,
voam como voam os grãos de poeira

ao horizonte lanço o meu olhar mais fundo.
igual ao pescador, pacientemente
eu espero

agosto de 2013

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