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LOUVOR
encontro a minha paz ao descer o caderno
até uma folha em branco
sitiadas pelo ruído e pelo vazio as minhas palavras
guardam-se para Ti, para o fulgor da manhã,
para a voz que me conduz no fio tortuoso
do tempo
nos dedos sinto o rigor da água, o empenho
do sabão, a Tua alegria
como ervas reverdecidas na terra as palavras fluem:
sei que os homens virão com as suas múltiplas lâminas,
virão com o lume do seu desamor
e essa pequena luz infinita talvez não perdure
senão meia estação
mas não importa.
houve nos meus pulsos o estremecimento, o milagre
replicado dos dias do começo
e eu sei que todo o poema nasce para Ti, todo o verde
anódino das coisas inúteis e acessórias
e sei que sou afortunadoporque a mim mo ensinaste
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© João Ricardo Lopes (2026)
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